POR Helder Lopes, 13 mai 2011, 10H07

Africanias: “Momento histórico para Brasil e Angola” (Cornélio Caley)

Wânia Dias
Núcleo de Jornalismo
Assessoria de Comunicação

Caruru, fuxico, cafuné e fuzuê. Essas são algumas palavras usualmente utilizadas no vocabulário popular brasileiro, porém poucos sabem que a origem desses termos é africana.

Com o objetivo de resgatar essa herança linguística e cultural, a UNEB vai oferecer pioneiramente no país, já no próximo semestre letivo, línguas angolanas na grade curricular. Resolução que autoriza a oferta foi publicada ontem (11), no Diário Oficial do Estado (DOE).

Nessa quarta-feira, o assunto foi tratado na mesa de abertura (foto home) do seminário Africanias: instalação das línguas angolanas (kimbundo e kikoongo) no currículo acadêmico da UNEB. O evento está sendo sediado na Academia de Letras da Bahia (ALB), em Salvador, e segue com atividades até amanhã (13).

“Os acadêmicos sempre foram resistentes em reconhecer as línguas africanas, que, até pouco tempo, eram consideradas dialetos no sentido mais depreciativo da palavra. Foram 30 anos de muita luta, mas hoje é dia de celebrar essa conquista”, frisou Yeda Pessoa de Castro, coordenadora do Núcleo de Estudos Africanos e Afro-brasileiros em Línguas e Culturas (Ngealc), vinculado à Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da UNEB, que está promovendo o evento.

Para o vice-ministro de Cultura angolano, Cornélio Caley, este é um momento histórico para o Brasil e Angola.

“Nosso governo recebe com júbilo essa iniciativa da UNEB, que vai unir ainda mais dois povos que foram separados apenas por um capricho da natureza”, disse Cornélio, durante o seminário.

A universidade vai ofertar as línguas angolanas, divididas em dois componentes curriculares, nas modalidades presencial e semipresencial, para os cursos de graduação.

A iniciativa, inédita entre universidades brasileiras, está em consonância com a Lei federal 10.639/2003, que torna obrigatória a inclusão de temas relacionados à história e cultura afro-brasileiras na rede pública de ensino do país.

“Busca-se com isso resgatar a contribuição dos africanos nas áreas social, econômica, política e cultural no cenário brasileiro. Esse também é o papel da universidade”, ressaltou José Bites, pró-reitor de Graduação (Prograd).

A abertura do seminário foi prestigiada ainda pela pró-reitora de Extensão (Proex) da UNEB, Adriana Marmori – que representou o reitor Lourisvaldo Valentim no evento –, pela professora decana da Universidade Agostinho Neto, em Angola, Amélia Mingas, pelo adido cultural e diretor da Cada de Angola na Bahia, Camilo Afonso, pelo presidente da ALB, Aramis Costa, pelo diretor-geral do jornal A Tarde, Edivaldo Boaventura, primeiro reitor da UNEB, e pelo docente da universidade Alfredo Matta.

O Grupo Cultural Filhos do Congo encerrou as atividades da abertura com uma apresentação musical.

Internacionalização

Adriana Freire informou que deve ser assinado acordo entre UNEB e Universidade Agostinho Neto
Amanhã (13) deverá ser assinado, durante a programação do seminário Africanias, um termo de cooperação entre a UNEB e a Universidade Agostinho Neto, sediada em Luanda, capital angolana.

O acordo prevê intercâmbio científico e cultural entre as instituições, a exemplo da oferta de cursos de graduação da UNEB em Angola, na modalidade semipresencial.

Segundo Adriana Freire, assessora especial para Cooperação Internacional (Asseci) da universidade, a instituição vai continuar com o seu processo de internacionalização.

Atualmente, a UNEB possui 15 convênios de intercambio acadêmico e cultural com países como Argentina, Chile, Paraguai, Estados Unidos, França, Itália, Portugal, Espanha, Costa do Marfim, Moçambique e Angola.

A programação do seminário reserva ainda para esta sexta-feira conferências com as professoras angolanas Amélia Mingas, Zavone Ntondo e Vatonene Kukanda.




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