POR Vandearley Borges, 04 jul 2016, 09H33

PRIMEIRA ESTUDANTE COM DEFICIÊNCIA VISUAL DO DEDC XII APRESENTA SEU TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – TCC

Na noite de 26 de maio de 2016 a estudante do curso de Licenciatura Plena em Pedagogia Marieta de Jesus Moraes, apresentou seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que trouxe como título Contribuições da Associação Urandiense de Pessoas com Necessidades Especiais (AUPNE) para o processo de inclusão escolar dos deficientes visuais no Município de Urandi – BA.

Marieta foi a primeira estudante cega a ingressar no Departamento de Educação Campus XII da UNEB na cidade de Guanambi.  Marieta utilizou seu computador com programa específico para fazer a apresentação do seu trabalho.

A conquista de uma vaga em uma Universidade pública e de qualidade é um sonho para muitos brasileiros, Marieta também possuía um sonho de ingressar num curso superior, obter um diploma de graduação. No ano de 2011, Marieta conquistou a tão sonhada aprovação no vestibular e aquilo que parecia tão distante, agora se torna uma realidade.

No decorrer do curso foram inúmeras as dificuldades enfrentadas tanto pelo DEDC XII como também por Marieta, mas isso nunca foi impedimento para que a estudante realizasse suas atividades. Os professores se empenharam na inclusão de Marieta. A discente participava das aulas, das apresentações de trabalho e atividades que eram propostas. O Colegiado disponibilizou durante no curso uma monitoria para assessorar nas atividades.

Marieta é uma estudante batalhadora que nunca usou a deficiência como barreira ou limitação para fazer o curso de Pedagogia. Sempre ativa e atuante, Marieta participou do 24º Encontro Baiano de Estudantes de Pedagogia, evento que aconteceu na cidade de Itaberaba – Bahia, e roubou a sena, pois, onde as pessoas viam dificuldades, ela via desafio e solução. Durante o evento a comissão se preocupou em oferecer suporte necessário, e deixou a disposição da estudante, carro e monitores para que pudessem assessorar no que a estudante precisasse, porém, recusou-se e disse que ia participar do Encontro na mesma condição de todos.

Marieta é um exemplo, sua garra e força de vontade em vencer e atingir seus objetivos é muito grande, sempre atuante e militante na busca por melhorias e direitos igualitários para as pessoas com deficiência visual. Atualmente é presidente da Associação dos Deficientes Visuais da cidade de Urandi – Bahia cidade a qual reside, agora com um curso de graduação poderá alçar voos maiores em sua carreira estudantil e profissional.

O Diretor do DEDC XII, o Professor José Alves, parabenizou a discente pela apresentação do trabalho, e disse que Marieta sempre foi uma estudante muito cativante e participativa, José Alves disse que a conclusão da graduação será apenas a porta de entrada para que a aluna conquiste mais vitórias em sua vida. O Professor, salientou que o Departamento sempre esteve a disposição da aluna, para ajudar no que fosse necessário, salientou que é dever da instituição pública garantir que o estudante conclua sua graduação, oferecendo suporte adequado para que isso aconteça. E espera o ingresso de mais estudantes com necessidades educacionais especiais.

Em entrevista ao orientador de Marieta o professor Cláudio Almeida, disse que:

Orientar a acadêmica Marieta Moraes foi um desafio desde o início, eu sabia que tínhamos que vencer a barreira da falta de visão, os livros, os artigos, as próprias aulas não estavam adaptadas a esta condição, e nem eu mesmo, apesar de já possuir alguns cursos nesta área. A primeira coisa que falei para ela é que o fato dela não ter a visão não dirimia a responsabilidade dela estudar, ela não teria privilégios, ela aceitou de imediato e iniciamos um longo período de orientações.

Então passei a conhecer a Associação Urandiense de Pessoas com Necessidades Especiais (AUPNE) e a paixão que Marieta tem por esta instituição, que se tornou seu objeto de estudo. No inicio foi difícil separar o amor pelo trabalho da pesquisadora Marieta, e graças a Deus não conseguimos. Também passei a conhecer mais a pessoa Marieta, batalhadora, defensora combativa dos deficientes de Urandi, não só auditivos, mas de diversas outras deficiências, sempre envolvida numa busca incessante por melhores condições para estas pessoas.

Foram vários os monitores que a ajudaram nas leituras e formatação do trabalho em suas diversas fases, todos deram sua contribuição neste processo, aos quais sou grato pelo apoio dado às orientações. Não posso deixar de esquecer dos apoiadores da AUPNE, que contribuíam nas leituras e envio de e-mail, facilitando a comunicação no estudo da acadêmica e nas orientações.

Não fui eu o único a orientar Marieta, foi toda uma equipe que a conduziu até o trabalho de conclusão de curso: a conheci por intermédio do Professor Warley Kelber que achou o tema interessante e me confiou naquele momento à orientá-la; os diversos professores do curso de Pedagogia, os quais também se viram diante de uma situação nova, mas acreditaram em Marieta; os monitores já citados acima; os colegas de turma; as broncas da Prof. Fausta, buscando melhorar o trabalho; a direção (prof. Marcius e Prof. José Alves) e a coordenação de curso pelo empenho (Profª Joseni e Giane); e a banca examinadora (Prof. José Alves e Profª Sandra Alves) nas contribuições finais ao trabalho…enfim, seria muita pretensão dizer que “eu” orientei, na verdade fui só mais uma peça nesta engrenagem, e me orgulho muito disso.

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