POR sjunior, 15 ago 2012, 14H56

Apresentação

É neste espaço simbólico e com a “ousadia” acompanhada de uma identidade cultural e/ou política de ser baiano/a que o Seminário Enlaçando Sexualidades se constrói nas Culturas das Sexualidades, ambas as palavras no plural.

Parafraseando Geerzt (2001) “Isso, falando de coisas que têm que ser assim, já não é possível. Se quiséssemos verdades caseiras, deveríamos ter ficado em casa” – experimentamos os estudos sobre as culturas como uma possibilidade, uma abertura para olhar além do provincianismo que nos cerca. Com efeito, desprezamos a ideia do anti-relativismo. Por outro lado, a ideia do relativismo nunca foi exatamente a busca dos/as antropólogos/as, mas sim, o desejo de conhecer e contextualizar a “ forma de ser no mundo”. Se num dado momento, como um ser no mundo, fomos representados como o Outro, hoje, seguramente, somos nós, que pensados como o Outro, nos insurgirmos. E somos nós que falamos como sujeitos agenciados, buscando um devir na nossa “descolonização”. Neste primeiro ponto, portanto, falamos dos estudos sobre culturas como uma possibilidade de reflexão, que nos ajudaria a compor um mosaico de vozes, cujo destino seria a Dignidade Humana. Não como abstrata, mas sim como uma posição mais justa e mais feliz. Para imaginar sexualidades como uma forma de ser cultural, pensa-se em Gayle Rubin, antropóloga, ativista-acadêmica, que nos fala de uma Justiça Erótica, e daí se compromete com ela para enveredar-se na compreensão do que seria exatamente que nós poderíamos, enquanto estudiosos/as, perceber sobre as sexualidades. Em seu texto magistral “Pensando o Sexo: Notas para uma Teoria Radical das Políticas da Sexualidade” depreende-se uma analogia entre a pirâmide de classe e a pirâmide erótica. Pensamos que no topo desta pirâmide temos a consolidação ideológica do casal monogâmico, branco, heterossexual, cristão, com direitos assegurados pelo matrimônio e pelo amor sagrado que os une em prol da procriação. Este amor romântico, em si, nega o desejo sexual da mulher, uma vez que as práticas sexuais são objetadas e abjetas neste sistema ideológico que promove o terror e o medo em torno das sexualidades.

Nesta trilha do desmontar do amor romântico anunciamos uma nova forma de se reinventar, quer seja pelo “amor confluente”, quer seja por quaisquer outras formas…, e daí pensarmos o sexo sem ou com procriação como uma possibilidade em nossos relacionamentos. A prática sexual com consentimentos concretos sem assimetrias, desejos sem clausuras… Quem são e quem poderia exercê-los? Quais os atores e atrizes a bailar ou desejosos de bailar? Heterossexuais, homossexuais, lésbicas, travestis, transexuais, mulheres masculinizadas, homens afeminados, transgêneros…

Então, para concluir imaginamos que no exercício das nossas profissões tenhamos um compromisso de desvendar, conhecer as culturas das sexualidades como conhecimento polifônico que promova a dignidade humana, cuja coletânea desta produção de conhecimentos nos permita, sem sombras de dúvidas, refletir sobre nós, sobre os outros e novamente sobre o nós, e este é o nosso grande desafio.


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