POR Ascom/Kleber Palafoz, 21 mar 2012, 14H07

Apresentação

Em 2009, realizou-se nas dependências da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), a primeira edição do Enlaçando Sexualidades, cujos realizadores foram o Núcleo de Estudos de Gênero e Sexualidade – Diadorim – e a Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e Juventude.  Na segunda edição, em 2011, o evento desenrola-se no Centro de Convenções da Bahia e seus realizadores são o Doutorado Multidisciplinar Multi- institucional  em Difusão de Conhecimento, o Mestrado em Crítica Cultural e  NUGSEX-Diadorim.

Deve-se ressaltar que o Enlaçando Sexualidades foi idealizado e escrito  no segundo semestre de 2008, tendo como inspiração os seguintes eventos transcorridos neste mesmo ano:  IV Congresso  “Retratos do Brasil Homossexual: fronteiras, subjetividades e desejos”, realizado  pela ABEH( Associação Brasileira de Estudos sobre Homocultura),   a mesa redonda Sexualidade e demografia: aprofundando o debate, realizada no  XVI Encontro Nacional de Estudos Populacionais, organizada pela ABEP(Associação Brasileira de Estudos Populacionais) e por fim, o  5º Seminário Homens, Sexualidade e Reprodução, organizado pelo Instituto PAPAI, Gema/UFPE.

Os eventos mencionados possuíam especificidades que foram incorporadas de forma critica pelo Enlaçando.  O primeiro configurava-se com as mesas e os trabalhos de comunicação versando sobre os estudos da homossexualidade e da militância LGBT.  O segundo foi à mesa promovida pela ABEP, tanta pela falta de audiência, quanto pela fala das palestrantes observou-se de que os estudos demográficos não se interessam pela sexualidade ou pelas  práticas sexuais, mas sim, pelas  taxas de fecundidade e natalidade  mensurada via as  mulheres. Por conta do primeiro, celebrou-se de sobremaneira, a ideia de não produzir um evento que não se reduzisse a famosa dicotomia, de um lado os estudos sobre heterossexualidades, do outro os estudos de homossexualidade. O segundo fortaleceu o desafio de aprofundar o debate da demografia, desta forma o nosso primeiro parceiro foi a SEI (Superintendência de Estudos Sociais e Econômicos do Estado da Bahia).

Até, então ambos os eventos mencionados estavam tradicionalmente situados no sudeste do país, desta forma reporto-me ao terceiro evento realizado pelo Instituto Papai que serviu como alento e possibilidade para fortalecer os encontros sobre a temática no Nordeste. Neste mesmo evento foi declarada a possibilidade de em 2009 acontecer nas dependências da Universidade do Estado da Bahia o Seminário Enlaçando Sexualidades, cuja realização dependia efetivamente da aprovação do projeto submetido à Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado da Bahia, o recurso disponibilizado pela SEI não cobriria as despesas.

Então daí nasce o Seminário Enlaçando Sexualidades,  e como todo começo requer um mito de origem, com o Seminário Enlaçando Sexualidades não seria diferente. Talvez o mais complicado seja ver o mito como o movimento, o fluir de sentidos, por isso, Enlaçar:

“Enlaçar não tem como propósito a defesa dos semelhantes e sim o que se constitui no ato do enlace. É o desejo de se tecer com experimento e, em cada fio do laço, traçar o que se difere frente às percepções de cores e dos choques do fiar quando o movimento ocorre no plano avesso de enunciados fixos. Ao revelar o sentido de sexualidades por esse tom, as marcas que revestem o indivíduo são relocadas no processo de desconstituição de sua essência, o que denota a disseminação de cortes e de entrefeches diante do poder de desafiar o dado, o disciplinar, reprogramando lugares comuns como práticas de leituras que pouco ou nada desafiam o plano das ordens e de únicas vias interpretativas” [SEMINÁRIO ENLAÇANDO SEXUALIDADE, 2009, p. 8]

Suely Aldir Messeder