POR Ascom/Renilson, 19 nov 2014, 19H19

Coité: Pesquisadores debatem gênero e intolerância religiosa durante Semana Negra

Renilson Silva

Assessoria de Comunicação

pesquisador explica sobre gênero e religiões de matrizes africanas

pesquisador explica sobre gênero e religiões de matrizes africanas

A II Semana Negra de Conceição do Coité, nesta quarta-feira, 19, trouxe a mesa-redonda “relações de gênero nas religiões de matrizes africanas”. A discussão ficou por conta da professora doutora Íris Verena Oliveira (curso de História do campus XIV da UNEB), e Marlon Marcos Passos, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Antropologia (UFBA).

De acordo com o pesquisador, em espaços como a capoeira, as mulheres ainda disputam espaço. Mas no candomblé, o homem é quem quer alcançar a “roda”. Segundo ele, “as mulheres como sacerdotisas conquistaram muitas coisas pensando nos seus próximos e desempenharam um papel fundamental pela sobrevivência e pela afirmação da sua história”.

Falou do surgimento das religiões de matriz africana e sua relação com o Brasil. O doutorando informou que no século XIX podíamos encontrar sacerdotes masculinos que dominavam o candomblé. “No processo de formação dessa religiosidade e no meio desses seres humanos, existiam príncipes e princesas. Essa mítica foi fundamental para mostrar a força do candomblé em nação, do ponto de vista geográfico”, explicou.

Na avaliação do docente, a abordagem do tema é importante para que muitos negros não sofram “esquizofrenia social”. “Não podemos perder de vista a relação histórica do povo brasileiro com o candomblé”, conclamou.

Ao final, destacou que a temática da Semana Negra não se encerra e que, constantemente, está em debate. “Essa é uma atividade de fé, de gratidão e de respeito à qual sinto orgulho em participar”, afirmou.

Sobre a intolerância religiosa

Onde estão as comunidades de terreiro do Território do Sisal? Onde estão os pais e mães de santos? Quais ações estão sendo empreendidas para se aproximar desse povo e trazê-lo à comunidade?”, questionou a docente.

docente pede respeito às religiões afro-brasileiras

docente pede respeito às religiões afro-brasileiras

Doutora em Estudos Étnicos e Africanos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em que recentemente defendeu sua tese intitulada “O feitiço da cura: histórias do povo de santo, feiticeiras e curandeiros da Bahia (1930-1960)”, a professora Íris Verena Oliveira tratou sobre a questão da intolerância que, diariamente, atinge o “povo de santo”. Na sua reflexão deixou claro que, além dos motivos religiosos, a defesa das religiões afro-brasileiras se justifica pela sua importância para história e memória da população negra.

Já vivemos intolerância religiosa em vários momentos da História do Brasil. Hoje em dia temos outra situação que aparece nos conflitos com as religiões neopentecostais. O proselitismo religioso quando voltado para adeptos das religiões afro-brasileiras assume uma forma agressiva”, criticou.

Na ocasião, a docente ainda provocou a plateia a pensar sobre “ataques agressivos” que os veículos de mídia realizam contra as religiões afro-brasileiras, e lembrou que a lei 10.639, sancionada pelo governo Lula em 2003, não trata da conversão dos alunos à religião, mas uma maneira de se fazer entender que a formação da identidade do povo brasileiro está intrinsecamente ligada ao povo negro.

A discussão que destacamos nesse ponto sobre a intolerância é fazer acontecer o respeito a essas religiões. No que se refere ao Território do Sisal, temos uma ausência de pesquisas sobre quem são as pessoas desse lugar que praticam o candomblé. Digo isso porque quando falamos em diversas cidades temos nomes que são referência: em Coité quem são esses nomes? Acredito ainda que, tão importante quanto conhecermos as trajetórias sacerdotisas de outras cidades, é olharmos o que está acontecendo aqui. É necessário, ainda, todo um processo de empoderamento para entender isso”, apontou.

Sobre esse tema, o Antropólogo Marlon Marcos revelou que gosta de ser identificado pelo que é, e leva a “vida de terreiro” para fora dos “muros” do candomblé. Em seu desabafo, revelou que ao visitar Coité pela primeira vez sofreu intolerância religiosa.

Precisamos de muito respeito para combater toda essa onda de preconceito. Penso que, assim como muitos pais levam seus filhos para fazer a primeira comunhão, temos que ter a liberdade de levar os nossos filhos para a religião que praticamos. Vários desafios precisam ser enfrentados”, finalizou Oliveira.

“Igualdade racial é pra valer”

programação é bem diversificada

programação é bem diversificada

Com esse tema, a II Semana Negra de Conceição do Coité, que este ano acontece de 17 a 26 de novembro, “objetiva ser o espaço de construção e emancipação dos sujeitos”, traz uma programação com palestras, caminhada e shows musicais.  As atividades estão sendo sediadas no Centro Cultural e no Auditório da Uneb/Coité. O evento é uma realização da Prefeitura, através do Departamento de Promoção da Igualdade Racial, vinculado à Secretaria de Assistência Social do município e do CRAS. A UNEB, através da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e o Departamento de Educação, campus XIV, por meio do Grupo de Estudos Étnicos e Cultura Afro-brasileira estão participando da organização.

Agenda de discussão sobre o tema

Na próxima segunda-feira, 24, está programada a realização da mesa-redonda com o tema: “Direitos das populações negras e ações afirmativas”, composta pela Pró-Reitora de Ações Afirmativas (Proaf/UNEB), Marluce Macedo e Otto Vinícius Agra, Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Estudantis (Propae/UEFS); o debate será às 19h, no auditório do Departamento. Já no dia 25/11, às 19h, no campus XIV, uma roda de conversa discutirá “Educação e relações raciais: a implementação da Lei 10.639/03. O debate é voltado para a comunidade acadêmica e os professores da rede de educação básica de Coité. Participe!




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