POR maneto, 24 mai 2012, 11H32

EMBORNAL DE PALAVRAS

A POESIA DE GONZAGÃO E SEUS PARCEIROS

ASA BRANCA

ACAUÃ

om roupa de Virgolino
Exaltou todo sertão
Decantou a asa branca
Assum Preto e azulão
Acauã e carcará
Que voa feito avião
Se exemplo foi beleza
Estando lá o roçado
Ou no topo de sua fama
Pelo tempo coroado
Esse gênio da cultura
Mereceu esse reinado
Olha pro céu meu amor
Pernamuco te agradece
Por cantares nossas cidades
Tua música nos enobrece
Nos versos dos teus poemas
Nossa gente é quem mais cresce

Acauã

Luíz Gonzaga

Acauã, acauã vive cantando
Durante o tempo do verão
No silêncio das tardes agourando
Chamando a seca pro sertão
Chamando a seca pro sertão
Acauã,
Acauã,
Teu canto é penoso e faz medo
Te cala acauã,
Que é pra chuva voltar cedo
Que é pra chuva voltar cedo
Toda noite no sertão
Canta o João Corta-Pau
A coruja, mãe da lua
A peitica e o bacurau
Na alegria do inverno
Canta sapo, gia e rã
Mas na tristeza da seca
Só se ouve acauã
Só se ouve acauã
Acauã, Acauã…

Asa Branca

Luiz Gonzaga

Quando olhei a terra ardendo
Com a fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Que braseiro, que fornalha
Nem um pé de plantação
Por falta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Por farta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Até mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Então eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Então eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe, muitas léguas
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão

Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão

Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na prantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração

Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração

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