POR Adriana Fontes, 15 jul 2011, 15H55

Memorial Antônio Conselheiro – MAC

Laboratório de Arquelogia

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Em visita ao Memorial Antônio Conselheiro, algumas relíquias poderão ser observadas, como por exemplo: Plantas catalogadas e descritas por Euclides da Cunha no livro “Os Sertões”. Pilar, tijolos e pedras do alicerce da Igreja Velha de Bom Jesus. Armas pederneiras em sílex usadas pelos conselheiristas.

Crânios humanos de possíveis combatentes estão salvaguardados no Laboratório de Arqueologia mantido pela UNEB e que faz parte das dependências do MAC; objetos de utensílios domésticos do ano da graça de 1897 estão expostos no Museu Arqueológico. Dessa forma, laboratório, museu, biblioteca, salão de vídeo, auditório, painéis, mostruários, expositores e um belo Jardim compõem o Memorial, inaugurado em homenagem aos 100 anos do Massacre, Guerra, Movimento, Revolução, Insurreição ou como queiram chamar a história da maior Epopeia Nacional.

Na exposição Arqueológica, objetos encontrados nos Sítios Arqueológicos trazem o relato mais completo do cotidiano de batalha, identificando locais de acampamento, hospitais de sangue, zonas de combate, trincheiras etc.

Fragmentos de granadas, garrafas, frascos, botões, numeração indicativa de batalhão, fivelas, estojos e projéteis de fuzis Manlicher e Comblain são reflexos de estratégias de sobrevivência no momento em que ocorreram os embates entre o exército brasileiro e os defensores de Canudos. Uma replica do chambre de Antonio Conselheiro, juntamente com a máscara/cabeça utilizada no filme Guerra de Canudos (1997), de Sergio Rezende, encontra-se em exposição simbolizando o mito histórico que dá nome ao MAC. E assim os vestígios espalhados pelo Memorial vão sendo preenchidos de significados. Para quem chega ao Memorial munido de um bom conhecimento da História do Brasil, os utensílios e objetos encontrados no museu pode ser indicativo de que o Movimento de Canudos estava abrigando negros ex-escravos que continuavam sendo perseguidos ou explorados por grandes fazendeiros ou coronéis da região.

Imagens das ruínas que estão submersas no açude Cocorobó, fotos de pessoas como João de Régis, o descendente de conselheiristas que mais contribuiu para a divulgação dos fatos referentes ao conflito, fotos de estudiosos como o prof. José Calazans, exposição histórica com textos jornalísticos escritos na época do massacre, exposição sobre o escritor/jornalista Euclydes da Cunha, estão espalhadas pelo memorial em painéis confeccionados pelo curador da exposição Claude Santos. Cabe dizer que, todas as imagens vêem acompanhadas de legendas e textos relacionados a Campanha de Canudos. Na área externa que ladeia o Memorial é possível nos defrontarmos com descendentes dos maiores adversários enfrentados pelo exército brasileiro. Umbuzeiro, umburana, xiquexique, catingueira, mandacaru, bromélia, angico, favela, quipá (espécie de cacto que tem espinhos extremamente agressivos ao corpo humano) são só alguns exemplares das armadilhas que a própria natureza criou no teatro de operações.                                            .

Entre as mais de 50 espécies de plantas da flora sertaneja que se encontram no “Jardim Euclidiano João de Régis”, uma se destaca pela simplicidade e importância simbólica: O Canudo-de-pito, uma planta cujos galhos têm forma de canudo, muito utilizada na confecção de cachimbo. Está nela a origem do nome do lugar. Como está na clarividência da inscrição de uma placa junto ao monumento de homenagem aos conselheiristas a origem do Memorial: “Os vencidos também merecem um lugar na História. Não devem ficar no anonimato.” (José Calazans).

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