POR Ascom/Wania Dias, 19 nov 2015, 14H13

Ciclo de Debates reúne pesquisadores para debater música sacra negra na Bahia

Tamara Fawkes
Núcleo de Jornalismo
Assessoria de Comunicação

x

Participaram do evento professores, estudantes e pesquisadores da área. Fotos: Anderson Freire/Ascom e Divulgação

Pesquisadores, professores e estudantes se reuniram para debater sobre música sacra negra e a memória do povo baiano durante o 1º Ciclo de Debates: Memória, Música e Devoção: Oyá e Santa Bárbara, que aconteceu ontem (18), no Auditório Milton Santos, Campus I da UNEB, em Salvador.

x

Altar Mãe Guerreira inspirado no culto ao Orixá Oyá (Iansã)

O evento, realizado pelo Grupo de Estudos e Pesquisas da Memória Afro-Baiana da Universidade (Gepmab) da UNEB, teve como objetivo fomentar uma reflexão sobre a música como contributo para a difusão e perpetuação da memória.

Segundo Julice Oliveira, coordenadora do evento, a música sacra negra integra a memória do povo baiano, mas constitui especialmente um elemento de formação da identidade.

“Temos uma série de elementos que compõem a nossa identidade, que partem tanto da linguagem quanto de ritmos que são agregados à cultura da Bahia. Temos o samba de roda que pode trazer elementos do samba de caboclo, temos o vocabulário que contém características que remetem à religiosidade, por exemplo”, destacou a docente.

Para Maria Edite Graça, discente do curso de Pedagogia, a música tem grande importância para a memória negra da Bahia.

“Primeiro vem a memória, depois a história. Ambas nos fazem como sujeitos culturais e identitários desse meio musical rico e diverso”, afirmou a estudante.

A programação do encontro reservou conferências, sessões de comunicação, intervenções artísticas e apresentação musical da Orquestra Percussiva do Coro Oyá Igbalé: Música Sacra de Matriz Africana (Alabês: Laudelino Costa – regente/SIOBÁ-, Pablo Costa, Raimundo Nonato Barroso e José Carlos dos Santos), do Departamento de Educação (DEDC) do Campus I UNEB, em Salvador.

A sessão Mecanismos de popularização e divulgação da música com herança religiosa na modernidade, mediada por Julice Oliveira, contou com a participação do cantor e compositor Tiganá Santana e do professor Jorge Vasconcelos (UFRB).

x

Altar Amor e Devoção inspirado no culto a Santa Bárbara

“A música sacra é múltipla de partida, não é à toa que os Candomblés de Angola tenham uma grande disponibilidade para absorção de outras manifestações culturais, como os Caboclos, por exemplo. Há o entendimento, inclusive na linguagem, de algo polissêmico, isto é, em Kikongo, por exemplo, não há uma palavra sequer que tenha apenas um significado. Pelas palavras já se percebe que é admitido várias temporalidades”, ressaltou Tiganá Santana.

O evento, alusivo ao mês da consciência negra, celebrado em novembro, contou ainda com a inauguração de três altares artísticos dedicados a Oyá (Iansã) e Santa Bárbara, inspirados nas tradições do Catolicismo, Candomblé e Umbanda, assinados pela professora Julice Oliveira e pelo artista plástico Rálfice Santiago.

O evento contou ainda com a participação do diretor do DEDC, Valdélio Silva, a coordenadora do Colegiado de Ciências Sociais, Regina Lúcia Bastos, do representante da Irmandade Beneficente de Ojés, Ogãs e Tatas (SIOBÁ), Walter Rui Pinheiro, do representante da Coordenação da Universidade Aberta à Terceira Idade (Uati), Antônio Jorge.


Notícias relacionadas



Envie uma mensagem: