POR Ascom / Danilo Oliveira, 25 jul 2013, 14H58

Manoel Neto (Ceec): “Reverenciamos o cangaço no dia da morte de Candeeiro”

Danilo Oliveira
Núcleo de Jornalismo
Assessoria de Comunicação

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Jornalista e escritora pernambucana, Vanessa Campos lançou livro e ministrou palestra sobre Maria Bonita

Ao pôr do sol do triste dia de ontem (24), marcado pela morte do ex-cangaceiro Candeeiro, aos 97 anos, na cidade pernambucana de Buíque, a comunidade acadêmica da UNEB reverenciou a cultura cangaceira e a mulher sertaneja com a exibição do documentário Feminino Cangaço e com o lançamento do livro A dona de Lampião.

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Manoel Neto: apresentar, sob outra ótica, a importância do fenômeno do cangaço para o Brasil

As iniciativas foram realizadas no Teatro UNEB, no Campus I da universidade, em Salvador, e reuniram gestores, professores, estudantes, funcionários e convidados.

É importante registrar que esta tarde possuiu um caráter especial, pois nos reunimos para falar sobre o cangaço nesta data, que registra a morte de Candeeiro, um dos últimos remanescentes do cangaço, por isso devamos também homenagear a sua memória”, ressaltou o coordenador do Centro de Estudos Euclydes da Cunha (Ceec), Manoel Neto, que dirigiu o filme em parceria com Lucas Viana (WebTV).

Retribuição à academia

O longa-metragem, de cerca de 80 minutos, é fruto de parceria entre Ceec, órgão suplementar vinculado à Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PPG) da universidade, e a WebTV, núcleo da Assessoria de Comunicação (Ascom) da universidade.

“Essa sessão é importante porque estamos devolvendo à academia esse produto, que dela surgiu, e também por reunir a comunidade para apresentar, sob outra ótica, a importância do fenômeno do cangaço para o Brasil e assim formar um público da universidade e seus arredores que prestigie ações culturais neste espaço”, destacou Manoel.

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Juvenal Alves: "Essa é uma produção do nível desta universidade e deve ser assistida e prestigiada"

O longa-metragem já recebeu convites para ser exibido durante o III Congresso Nacional do Cangaço, que será realizado entre os dias 22 e 25 de outubro, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), em Vitória da Conquista, e para abrir a sexta edição do Arraial Cine Fest, no mês de novembro, em Porto Seguro.

A mulher sob a ótica do cangaço

O pesquisador Juvenal Alves, pai do professor Manoel Neto, prestigiou a sessão e comemorou o resultado do trabalho empreendido pela equipe de produção: “Me sinto hoje recompensado pelo esforço que fiz para criá-lo e educá-lo. Essa é uma produção do nível desta universidade e deve ser assistida e prestigiada, por trazer essa nova perspectiva da mulher como protagonista no cangaço”.

Também diretor do documentário, Lucas agradeceu a todos pela presença e frisou que o longa-metragem não possui caráter apenas histórico: “No início do processo de produção acreditei que este seria um filme sobre o cangaço sob a ótica das mulheres, porém, após a conclusão do projeto pude perceber que este é um filme sobre as mulheres sob o ótica do cangaço”.

Ainda de acordo com o diretor, a equipe de produção já firmou parceria com a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult) para exibir o documentário em 19 pontos de cultura do estado, por meio do Circuito Popular de Cinema e Vídeo (CPCV), nos dias 20 e 27 de agosto.

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Lucas Viana: "Este não é um filme sobre o cangaço, é um filme sobre as mulheres sob a ótica do cangaço"

Coordenadora da WebTV, Qhele Jemima solicitou que os presentes façam com que o Feminino Cangaço esteja ao alcance do maior número de pessoas possível, para que seja capaz de cumprir efetivamente com sua função social.

O reitor da UNEB, Lourisvaldo Valentim, não pôde participar do evento em virtude de compromissos previamente agendados e a pró-reitora de Extensão (Proex), Manuela Barreto, foi representada por Reginaldo Cerqueira, gerente de Extensão (Geex) da Proex.


Reportagem de cobertura da TV UNEB

Circuito nacional de cinema

O documentário reserva entrevistas com especialistas sobre a temática do cangaço, a exemplo do sócio fundador da União Nacional de Estudos Históricos e Sociais (Unehs), Antonio Amaury, dos pesquisadores Frederico Pernambucano de Melo, Luiz Ruben, Rosa Bezerra e Germana Gonçalves, além da filha e da neta de Lampião e Maria Bonita, Dona Expedita e Vera Ferreira, respectivamente.

Durante os 80 minutos do filme, são discutidos temas como as motivações para a entrada das mulheres no cangaço, seu papel dentro dos bandos, seus costumes, suas crenças, seus dramas pessoais, a sexualidade e as representações destas mulheres.

O projeto, que teve início em março de 2012, conta com filmagens nas cidades de Salvador, Paulo Afonso, Recife (PE), Aracaju (SE), São Paulo (SP), Piranhas (AL), além de visita a Grota do Angico, local da morte de Maria Bonita e Lampião.

Qhele Jemima, coordenadora da WebTV.UNEB

Qhele Jemima: é necessário que todos divulguem o longa para que ele consiga cumprir sua função social

O longa-metragem deve ser exibido, ainda neste ano, em cidades como Canudos, Eunápolis, Paulo Afonso, Recife, João Pessoa (PB), Rio de Janeiro (RJ), Serra Talhada (PE) e Aracaju.

A dona de Lampião

Ainda durante a tarde, a jornalista e escritora pernambucana Vanessa Campos ministrou palestra sobre a vida e a história de Maria Bonita e lançou a segunda edição do livro A dona de Lampião.

“Essa é uma maravilhosa parceria com a UNEB, que mostra com o documentário Feminino Cangaço que está atenta à mesma temática. Fico feliz de lançar o livro nesta tarde, junto à exibição deste filme, que é muito bom e muito bem produzido”, comemorou Vanessa.

Nas 110 páginas do livro, a escritora aborda o poder de Maria Bonita junto ao bando, a sua influência e a história de vida da cangaceira. A publicação consiste em um livro-reportagem e é fruto de 20 anos de pesquisa da jornalista.

A dona de Lampião conta o selo da editora pernambucana Provisual e, em virtude de uma parceria firmada entre a autora e a universidade, pode ser adquirida também na Editora UNEB (Eduneb) ao custo de R$ 40. Exemplares serão disponibilizados na biblioteca do Campus I para consulta.

Fotos: Cindi Rios/Ascom

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