POR Ascom/Toni Vasconcelos, 29 jun 2012, 17H24

Professor fala à TVE sobre casos de homofobia; Diadorim emite carta à sociedade

Núcleo de Jornalismo
Assessoria de Comunicação


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Durante entrevista, Marco Martins discorreu sobre o dia do Orgulho Gay. Fotos: Marcos Gonçalves/Diadorim

Marco Martins (foto home), coordenador do Núcleo de Estudos de Gênero e Sexualidades (Nugsex/Diadorim), vinculado à Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da UNEB, concedeu entrevista a TVE Bahia, ontem (28), sobre casos de violência homofóbica no estado da Bahia.

Durante a gravação, o pesquisador discorreu sobre o dia do Orgulho Gay, comemorado na mesma data, e analisou o episódio do espancamento dos irmãos gêmeos José Leonardo e José Leandro, confundidos com homossexuais, no dia 24 de junho, em Camaçari, que resultou na morte de José Leonardo.

“Devemos pensar este dia como uma oportunidade de luta e enfrentamento direto aos sistemas de exclusão que existem no Brasil. Atualmente vivemos um fenômeno de vigilância homofóbica, que rege o controle das fronteiras entre os gêneros. Um dos desdobramentos desta situação foi este brutal assassinato. O não reconhecimento da cidadania LGBT alimenta a violência em nosso país”, destacou Marco.

O núcleo divulgou, na mesma data, carta aberta à sociedade em repúdio à homofobia, onde apresentou dados da violência contra homossexuais e relatou casos de agressão física e assassinato contra lésbicas, gays, bissexuais e transexuais.

“No mês de setembro deste ano, durante a semana da Parada Gay da Bahia, vamos lançar a pesquisa Política, direito, vida e homossexualidade, que trata sobre a violência contra pessoas do movimento LGBT, realizada com 681 participantes da parada de 2010. Dentre os resultados do estudo, temos que 68% dos entrevistados já sofreram violência motivada por conta de sua sexualidade”, adiantou o pesquisador.

Segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB) a 11ª Parada Gay da Bahia será realizada no dia 9 de setembro. Nesta edição, o Diadorim levará novamente seu trio às ruas.


Reportagem da TVE-Bahia veiculada em 28/06/2012

Confira íntegra de carta aberta à sociedade do Nugsex/Diadorim

Nesse 28 de junho, dia em que as pessoas LGBT abraçam a bandeira do arco-íris e dizem “Sim, eu tenho orgulho de ser LGBT”, o Diadorim – Núcleo de Estudos de Gênero e Sexualidades da Universidade do Estado da Bahia vem a público repudiar a homofobia, em uníssono com todos os segmentos sociais que exigem a criminalização das agressões que cotidianamente atingem os homossexuais no Brasil.

Em dezembro de 2010 uma pesquisa sobre preconceito realizada pela Fundação Perseu Abramo em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo, apontou que só 1% dos brasileiros maiores de 16 anos não tem preconceito contra homossexuais. Naquele mesmo ano, pesquisa feita pelo Diadorim na Parada Gay de Salvador constatou que mais de 68% dos homossexuais entrevistados sofreram, ao longo da vida, algum tipo de agressão por conta da sua condição sexual.

Confirmando estes dados, ao longo de 2011, observou-se uma escalada sem precedente dessas violações, conforme levantamento do Grupo Gay da Bahia, tendo como resultado a morte de 266 homossexuais, vitimados pelo preconceito e pelo não reconhecimento da cidadania LGBT. Porém, essa sanha homofóbica não ficou restrita àqueles(as) que professam o amor entre iguais. Em julho de 2011, no interior de São Paulo, pai e filho foram brutalmente espancados ao serem tomados como gays, expressando um fenômeno de vigilância e agressão que se fez novamente presente no último dia 24, quando um rapaz heterossexual, confundido como homossexual por outros heterossexuais, perdeu a vida em terras baianas. Isto nos permite afirmar que a homofobia no Brasil tem ultrapassado os limites da sexualidade, materializando-se em um ódio contra todas as manifestações de afetividade, quer seja entre nós homossexuais, quer seja entre eles – heterossexuais. E assim é a violência que nos iguala.

Em tempos de homofobia fora de foco, vivemos a crueldade explícita em atos de covardia como o que ceifou a vida de José Leonardo e no silêncio sorridente do Estado diante da corriqueira matança dos LGBT, configurando um calendário de cortes de vidas, de sonhos, de possibilidades.

Diante disto, nós do Nugsex – Diadorim conclamamos a união de forças contra a homofobia a fim de evitar que outros – homossexuais ou heterossexuais – sejam vítimas da violência expressa por uma não conformidade com a identidade de gênero dominante.

Queremos viver e amar, temos orgulho do que o dia 28 de junho representa, mas a garantia de uma vivência diária deste orgulho implica numa luta também diária. Somos lésbicas, somos gays, somos travestis, somos transexuais, somos bissexuais, somos cidadãos e cidadãs e exigimos o direito à vida e ao amor.

Núcleo de Estudos de Gênero e Sexualidades (Nugsex/Diadorim)

Coordenação Colegiada:
Osvaldo Francisco Fernandez
Eide Paiva
Marco Antonio Martins
Amélia Maraux



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