POR Ascom/Toni Vasconcelos, 09 mar 2012, 20H15

Livro sobre Maria Bonita é lançado no Dia da Mulher; obra tem selo Eduneb

Carol Soledade
Núcleo de Jornalismo
Assessoria de Comunicação


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Manoel Neto salientou que a obra apresenta um dado novo para a historiografia. Fotos: Cindi Rios/Ascom

“Esta data representa tudo pra mim. Muita emoção, muito orgulho. Além de ser o Dia Internacional da Mulher, se ela fosse viva, completaria hoje 101 anos. E para completar, estamos aqui lançando o livro de Vera, que lutou muito e conseguiu com esforço produzir esta obra. Estou muito feliz”.

Com essas palavras emocionadas, a filha de Lampião e Maria Bonita, Expedita Nunes, expressou o que estava sentindo enquanto visualizava cada imagem da exposição fotográfica realizada com imagens retiradas do próprio livro e de objetos referentes à cultura sertaneja, na noite de ontem (8 de março), no Palácio Rio Branco, centro antigo de Salvador.

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Expedita Nunes, filha de Maria Bonita: “Esta data representa tudo pra mim. Estou muito feliz”.

Integrando as comemorações pelo Dia Internacional da Mulher, a exposição e o lançamento do livro Bonita Maria do Capitão foram ações organizadas pela neta dos cangaceiros Vera Ferreira e pela designer e pesquisadora Germana Gonçalves ambas na foto home, durante sessão de autógrafos –, sob coordenação da Secretaria estadual de Políticas para as Mulheres (SPM). A secretaria contou com apoio da UNEB, da Secretaria estadual de Cultura (Secult) e da ong Sociedade do Cangaço.

“O pedido para inserir esse evento na programação proposta pela secretaria para esse dia tão especial foi feito pelo reitor Valentim, gestor de uma universidade que estuda o cangaço. Decidimos contribuir com a reconstituição da nossa história por acreditarmos que alguém quem não conhece a sua própria história é incapaz de pensar o futuro. Lembrar Maria Bonita no dia 8 de março é algo singular e especial”, observou a secretária Vera Lúcia Barbosa (SPM).

Ações sobre o cangaço

Pesquisador e historiador do Centro de Estudos Euclides da Cunha (CEEC) da UNEB, Manoel Neto relembrou que há três anos a universidade vem promovendo ações mais intensivas sobre os cangaceiros.

“Essa parceria entre a UNEB e a família de Maria Bonita e Lampião começou desde 2009, quando nós realizamos o Seminário Cangaço e suas Vivências. No ano seguinte, promovemos um seminário sobre Maria Bonita e, no ano passado, começamos a pensar nas atividades em comemoração ao centenário da cangaceira. A proposta do livro de Vera Ferreira já estava inserida nessa programação dos 100 anos”, contou Manoel Neto, que representou o reitor da universidade, Lourisvaldo Valentim, na programação.

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Organizado por Vera Ferreira, livro é o primeiro que trata exclusivamente sobre a vida da cangaceira

Para o historiador, “a obra é esteticamente bonita e suas pesquisas foram feitas de forma responsável”. Segundo Manoel, o livro traz um dado novo para a historiografia. “A obra coloca a mulher como protagonista. Ela não é mais só parceira dos cangaceiros. Maria não é somente mulher de Lampião, ela passa a ser referência. E a entrada dela muda hábitos do bando e, inclusive, a logística de combate no cangaço”.

Manoel Neto reforçou ainda que o cangaço é um tema universal. “Porém, é marcadamente brasileiro, acentuadamente nordestino e faz parte da memória do Brasil”, considerou. “A UNEB tem compromisso com isso. Não só pelo CEEC, mas também pela sua capilaridade, já que tem vários campi inseridos no semiárido baiano”.

A abertura dos eventos foi prestigiada ainda pela deputada federal Alice Portugal, pela coordenadora-geral do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), Arany Santana, e pela diretora operacional das Voluntárias Sociais da Bahia (VSBA), Tânia Lessa.


Reportagem de cobertura da TV UNEB

Bonita Maria do Capitão

Composto por textos, imagens, ilustrações e  poemas de 42 colaboradores, o Bonita Maria do Capitão, publicado pela Editora UNEB (Eduneb), é o primeiro livro que trata exclusivamente de Maria Bonita.

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Também organizadora da obra, a designer Germana Gonçalves ficou responsável pela parte gráfica

“Eu sempre achei que ninguém sabia muito sobre minha avó. Em palestras, por exemplo, as pessoas só queriam saber de meu avô. Então, percebi a importância de falar sobre ela. Quando pensei em organizar o livro não queria que ele fosse igual a muitos outros que começam com ‘era uma vez’. Queria algo que encantasse, emocionasse. Esse é um presente que ela já merecia ter recebido há muito tempo”, salientou Vera Ferreira.

Para a neta da cangaceira, a força foi a principal característica de Maria Bonita. “Foi uma mulher atípica para sua época, que rompeu muitas barreiras e, ao mesmo tempo, foi uma criança, uma moleca, brincalhona, uma mulher incrível”.

Sobre a parte gráfica da obra, Germana Gonçalves explicou que desde 2007 vem tentando entender a estética do cangaço. “O livro traduz minha interpretação sobre essa estética. As cores, as formas e os elementos gráficos que foram utilizados para ilustrar cada página são exemplos disso”.

O encerramento das atividades ficou por conta do poeta Jessier Quirino e de um coquetel animado por trio nordestino e comida típica do sertão.

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