POR Ascom/Toni Vasconcelos, 22 nov 2011, 16H44

Colóquio internacional: filósofo francês abre debates sobre estética da fotografia

Victor Seabra
Núcleo de Jornalismo
Assessoria de Comunicação


Gestores da UNEB e de instituições parceiras compuseram mesa de abertura. Fotos: Anderson Freire/Ascom

Gestores da UNEB e de instituições parceiras compuseram mesa de abertura. Fotos: Anderson Freire/Ascom

“A fotografia é uma linguagem universal, a linguagem do espírito. Ela permite que façamos uma leitura do mundo com sentimento, unificando as diferenças.”

Com essas palavras, entre renomados pesquisadores franceses e brasileiros, o alagoano Andreliano Perigipe, 35 anos, natural da tribo Cariri-Xocó, roubou a cena na abertura do VIII Colóquio Internacional Franco-Brasileiro de Estética, realizada ontem (21) no Campus I da UNEB, na capital.

Andreliano Perigipe (Lymbo): "Fotografia é uma linguagem universal, a linguagem do espírito"

Andreliano Perigipe (Lymbo): "Fotografia é uma linguagem universal, a linguagem do espírito"

“Quando cheguei em Salvador, há 15 anos, eu não sabia o que ia fazer. Não tinha onde morar, nem dinheiro para comer. Uma máquina fotográfica emprestada se tornou a razão da minha vida”, completou Lymbo — apelido de Andreliano em sua tribo —, que está expondo suas fotografias durante o colóquio.

O evento, uma iniciativa do grupo internacional Recherches Esthétiques & Théorétiques sur les Images Nouvelles & Anciennes (Retina), está sendo organizado pelo Centro de Pesquisa em Educação e Desenvolvimento Regional (CPEDR) da universidade. A programação se estende até esta sexta-feira (25), no auditório do centro.

A conferência de abertura, intitulada A estética da fotografia: perda e permanência e a perspectiva da etnicidade, comunicação & multirreferencialidade, foi ministrada pelo filósofo francês e presidente da Retina, François Soulages (foto home). A apresentação teve tradução de Alberto Olivieri, presidente nacional do Retina e pesquisador do CPEDR.

Para François, ao pesquisar fotografia é preciso investigar três pilares da produção fotográfica: o sensível, o teórico e o estético. “O homem é um receptor de sensações e um reformulador de significações. O homem é um ser em cada momento”.

Andreliano Perigipe (Lymbo): "Fotografia é uma linguagem universal, a linguagem do espírito"

Edla Gama: sensações e novos significados da arte fazem as pessoas se aproximar do mundo real

São essas sensações e novos significados, de acordo com a estudante do curso de psicologia do Campus I, Edla Gama, que fazem as pessoas “se aproximarem mais do mundo real”.

“A fotografia e qualquer manifestação da arte nos ajudam a ver as pessoas que estão marginalizadas na sociedade, fazendo com que a gente compreenda melhor as suas subjetividades”, ressaltou Edla.

Já para a professora Leliana Santos, que está coordenando o evento pela UNEB, a fotografia é um elemento provocador e tem uma estética aglutinadora, “que serve para destacar aspectos étnicos e culturais, estimulando o desenvolvimento e a inclusão social”.

Antecedeu a mesa de abertura solene, composta por gestores da UNEB e das instituições parceiras, apresentações de voz e violão, feita pela dupla Ademir Amparo (mestrando do CPEDR) e Renato Muniz, de samba, com coreografia dos estudantes da Escola Estadual Heitor Villa Lobos, na capital, e de dança indígena, realizada por Lymbo.


Reportagem de cobertura da WebTV.UNEB

Pesquisadores de vários países

Leliana Santos: a foto é um elemento provocador, que estimula o desenvolvimento e a inclusão social

Leliana Santos: a foto é um elemento provocador, que estimula o desenvolvimento e a inclusão social

Durante os cinco dias de colóquio, que nesta edição traz o tema Estética da fotografia, a programação prevê a realização de mesas-redondas, workshops e videoconferências, que vão tratar de temas como linguagem e dimensão estética, semiótica e diversidade cultural, publicidade e imagem do afrodescendente, além de arte pública, urbanismo e desenvolvimento sustentável.

Destaque para as participações dos pesquisadores Guillermo Yáñez Tapia, Peter Kroeger Claussen e José Pablo Concha (Chile), Silvia Solas (Argentina), Anna Szigethy (Hungria), Anne-Lise Large (Estados Unidos), além dos franceses Franck Leblanc, Eric Bonnet e Safia Belmenouar.

“O nosso colóquio precisa estar sempre se renovando, provocando a sociedade e estimulando a inter-relação centro e periferia, e local e global, sem separações”, ponderou o professor Alberto Olivieri.

Na tarde desta quarta-feira (23), destaque ainda para a participação dos pesquisadores da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Ufba) José Carlos Mamede e Monclar Valverde, que apresentam, respectivamente, os temas Estilos fotográficos e identidade visual (14h) e Percepção do mundo e recepção da imagem (16h10).

Ricardo Biriba: parceria entre instituições amplia estudos sobre arte e estética na Bahia

Ricardo Biriba: parceria entre instituições amplia estudos sobre arte e estética na Bahia

Já na manhã de quinta (24), Ricardo Biriba, um dos coordenadores do evento e professor da Faculdade de Belas Artes da Ufba, lidera o workshop Light-painting, da imagem fixa à imagem interativa, que tem a participação das pesquisadoras Cyrille Brissot e Valécia Ribeiro.

“Estamos trazendo seis professores franceses, além de tantos outros pesquisadores internacionais. Essa parceria é de suma importância para fortalecer os laços entre as instituições e ampliar os estudos sobre artes e estética aqui na UNEB e na Bahia”, destacou Biriba.

A realização do VIII Colóquio Internacional Franco-Brasileiro de Estética tem a parceria da Université Paris 8 (França), da Ufba e da Faculdade Ruy Barbosa.

A UNEB sediou também a segunda edição do evento, que tratou sobre o tema Imagem e interdisciplinaridade.

Galeria de fotos


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