SBGames: dinamarquês Jesper Juul relaciona games e comportamento humano
Wânia Dias
Núcleo de Jornalismo
Assessoria de Comunicação

Cerca de mil estudantes, professores e pesquisadores estão participando do evento. Fotos: Anderson Freire/Ascom
Falha, ficção e realidade. Esses foram os três pilares que embasaram a palestra do pesquisador dinamarquês Jesper Juul (foto home), proferida na manhã de hoje (8), no Teatro UNEB, Campus I da universidade, em Salvador.
Com o tema No fun: failure as the true subject of all games (Sem diversão: fracasso como o verdadeiro assunto de todos os jogos), a palestra integrou a programação do segundo dia do X Simpósio Brasileiro de Games e Entretenimento Digital (SBGames).
Para Jesper — membro do New York University Game Center —, as pessoas encaram a falha no jogo e na vida real de formas distintas, “já que o mundo virtual permite que o ser humano limite a importância do erro de acordo com suas próprias necessidades e emoções”.
Mas, segundo o pesquisador, quando o desacerto acontece no plano da vida real, é mais difícil lidar com o sentimento de perda e a sensação de impotência é ainda maior.
“Nós tentamos ser bem sucedidos a todo o momento, a falha não faz parte dos nossos planos. Quando cometemos um erro durante um jogo podemos simplesmente negá-lo delegando a culpa a outras pessoas ou situações. Mas nas falhas que cometemos na vida não podemos, ou moralmente não devemos, passar a culpa adiante”, ponderou Jesper.
O pesquisador concluiu: “Dessa forma a ficção se torna uma válvula de escape, uma maneira de se libertar, de experimentar emoções que, no mundo real tentamos evitar. É a nítida possibilidade de fuga”.
A palestra, mediada pelo professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) , João Mattar, teve tradução simultânea e foi transmitida por videoconferência para os departamentos do campus da capital.
Estudantes de vários estados
Cerca de mil pessoas, entre estudantes de vários estados brasileiros, além de professores, pesquisadores e empresários, estão participando das atividades do SBGames.
É o caso do paulista Victor Navarro, discente da pós-graduação em produção e desenvolvimento de games, do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), em São Paulo.
“Juul nos mostrou uma maneira diferente de entender o significado de vitória e perda no jogo. É uma nova forma de interpretação do comportamento humano por meio dos games”, pontuou Victor.
Para Rosilânia Batista, discente do curso de desenho industrial da Universidade Federal de Campina Grande (Ufcg), o jogo abre novos horizontes e perspectivas, além de aliviar as pressões da rotina. “O videogame nos retira do estresse do dia a dia da nossa vida”, disse.
Novos paradigmas e jogos sociais
O SBGames reserva ainda em sua programação apresentação de artigos, de pôsteres, de tutoriais e de painéis, além de seminários e outras atividades culturais, que vão envolver pesquisadores internacionais, como o uruguaio Gonzalo Frasca, que vai proferir a palestra From film to TV: how videogames are changing its defining paradigm (Do filme para TV: como os videogames estão mudando essas definições de paradigmas), na tarde de hoje (8), às 16h10, no teatro da universidade.
Amanhã (9), às 11h40, a apresentação fica por conta do finlandês Aki Jarvinen, que abordará o tema Social games and the new vocabulary of games design (Jogos sociais e o novo vocabulário do design de jogos).
O SBGames tem como patrocinadores o governo federal — por meio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) —, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) e as empresas Volkswagen e Sony.
O evento, realizado desde 2002, já passou pelas cidades de Recife, Florianópolis, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Leopoldo (RS).
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