POR Ascom/Toni Vasconcelos, 07 nov 2011, 18H41

Palestra do peruano Damian Isla abre simpósio brasileiro de games

Victor Seabra
Núcleo de Jornalismo
Assessoria de Comunicação


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Reitor Valentim (centro), ao lado de gestores, inaugurou evento no Teatro UNEB. Fotos: Anderson Freire/Ascom

“Eventos como esse trazem grandes impactos para a industria de games. É aqui na academia que são conhecidos os jovens desenvolvedores de games do futuro: pessoas que estão fora do mercado atual, os desenvolvedores independentes.”

Essa é a opinião do peruano Damian Isla (foto home), diretor de tecnologia da empresa norte-americana Moonshot Games, que apresentou na manhã de hoje (7) a palestra de abertura do X Simpósio Brasileiro de Games e Entretenimento Digital (SBGames), sediado no Campus I da UNEB, em Salvador.

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Thiago Gomes está concorrendo no festival de jogos independentes com o jogo de RPG ProjectViking

O evento, considerada o maior da América Latina (AL) na área de jogos eletrônicos, está reunindo cerca de mil pessoas, entre pesquisadores, professores, estudantes e empresários do Brasil e do mundo, em extensa programação acadêmica até quarta-feira (9).

Durante a palestra Hey, indie developers: it’s a great time to build an engine (Ei, desenvolvedores independentes: é um grande momento para construir um mecanismo de jogo), o designer de games Damian explicou sobre o processo de produção de jogos, socializando suas experiências e conhecimentos na área.

“Para criar um jogo muitas vezes precisamos de um exército de pessoas para produzir todos os detalhes e levá-lo para a tela. É necessário escolher o mecanismo mais adequado para cada jogo, mas o sucesso se alcança não quando usamos as ferramentas já existentes, mas quando reinventamos a utilização delas”, destacou o designer, que participou da construção dos jogos Halo 2 and Halo 3 (jogo de tiro em primeira pessoa), que venderam juntos cerca de 20 milhões de cópias no mundo.

A palestra teve tradução simultânea e foi transmitida por videoconferência para os departamentos do campus da capital.

Participar de uma grande produção como a do jogo Halo é o sonho de Thiago Gomes, estudante paulista da Saga (School of Art, Game and Animation). O discente, iniciante na área de designer de games, está disputando, com mais dois colegas, o festival de jogos independentes do SBGames com o aplicativo ProjectViking (jogo RPG de interpretação de personagens). O resultado do certame será conhecido na quarta (9).

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Para Anne Karoline, game atrai atenção dos estudantes e otimiza absorção do conhecimento

“É uma honra poder participar do simpósio. Além de adquirir novos conhecimentos, podemos divulgar nosso trabalho e até conseguir algum contato ou patrocínio para o desenvolvimento do nosso projeto”, pontuou Thiago.

Já Anne Karoline Leite, estudante do nono semestre da licenciatura em ciências biológicas do Campus II (Alagoinhas) da UNEB, vê no SBGames uma oportunidade de interdisciplinaridade para qualificar a educação no estado: “Estou produzindo minha monografia sobre os desafios e possibilidades de utilização dos jogos digitais para o ensino da biologia. É uma maneira de atrair a atenção dos estudantes e otimizar a absorção do conhecimento”.

A décima edição do simpósio − iniciativa promovida pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC) em parceria com a Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames) − está sendo organizada pelo grupo de pesquisa Comunidades Virtuais de Aprendizagem, do Departamento de Educação (DEDC) do Campus I, e traz o tema Games e corpo.


Reportagem de cobertura da WebTV.UNEB

Evolução da indústria de jogos na Bahia

Durante a solenidade oficial de abertura do SBGames, que antecedeu a palestra do iraniano Damian Isla e foi presidida pelo reitor da UNEB, Lourisvaldo Valentim, os discursos dos organizadores do evento destacaram a importância do simpósio para a evolução da indústria de jogos na Bahia.

“Sou fã das pesquisas em games e em robótica que a UNEB realiza. Sempre investi nesses nossos projetos de pesquisa porque acredito que eles defendem a inovação tecnológica. E é desses trabalhos que saem a tecnologia para o desenvolvimento da indústria do nosso país. Por isso, este simpósio é mais um passo na qualificação desses projetos acadêmicos”, afirmou Valentim.

Lynn Alves

Segundo Lynn Alves, SBGames incentiva descoberta de novos talentos e formas de aprendizagem

Também participaram da abertura, pela UNEB, o pró-reitor de Pós-Graduação (PPG), José Cláudio Rocha, o gerente de pesquisa da PPG, Leandro Coelho, o coordenador do Núcleo de Arquitetura de Computadores e Sistemas Operacionais (Acso), Josemar Souza, e os coordenadores do simpósio, Lynn Alves e Roger Tavares, além do presidente da comissão especial de jogos do evento, Esteban Clua.

Para a professora Lynn, a décima edição do SBGames é uma conquista especial para a indústria de jogos digitais da Bahia: “Estamos incentivando a descoberta de novos talentos e fomentando o processo de concepção de novas formas de aprendizagem e de desenvolvimento na área de computação, arte e design de games”.

Antes da abertura do simpósio, a apresentação do Hino Nacional foi executada, com um violino, pelo estudante Paulo Vianna, que, simultaneamente, apresentou o jogo musical Violin Villain, o qual utiliza captação e análise de áudio de violino em tempo real.

Participação de pesquisadores internacionais

Nos três dias de simpósio, a programação prevê a apresentação de artigos, de pôsteres, de tutoriais e de painéis, além de seminários e outras atividades culturais, que vão envolver outros pesquisadores internacionais, como o dinamarquês Jesper Juul, o uruguaio Gonzalo Frasca e o finlandês Aki Jarvinen.

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Esteban Clua lembrou que público vai poder trocar conhecimentos com nata de pesquisadores

“No início deste mês a Bahia é o centro das atenções da indústria e das pesquisas sobre games. O público que participar com a gente do simpósio vai poder trocar conhecimentos com a nata de pesquisadores e empresários da área”, ponderou Esteban Clua, que também é pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF).

A programação destaca ainda o festival de jogos independentes – que vai apresentar protótipos de jogos funcionais em uma sessão dedicada à inovação, técnica, imaginação e emergência de novos talentos – e para a exposição de interfaces corporais, que vai mostrar acessórios atuais e antigos com soluções para libertar os jogos do domínio das mãos.

“Videogame não é só negócio, não é só ciência, nem apenas diversão. O SBGames reúne esses elementos e nos ajuda a estudar o comportamento humano por meio dos jogos, analisando o ambiente multicultural em que vivemos hoje”, ressaltou o pesquisador Jesper Juul, que vai apresentar amanhã (8), às 11h10, a palestra No Fun: failure as the true subject of all games (Sem diversão: fracasso como o verdadeiro assunto de todos os jogos).

O SBGames tem como patrocinadores o governo federal — por meio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) —, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) e as empresas Volkswagen e Sony.

O evento, realizado desde 2002, já passou pelas cidades de Recife, Florianópolis, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Leopoldo (RS).

Foto (home): Victor Seabra/Ascom

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