POR Ascom/Toni Vasconcelos, 17 out 2011, 19H32

Gildeci: “Eu transferiria a sede do governo para Seabra durante o SINBaianidade”

Henrique Soares
Núcleo de Jornalismo
Assessoria de Comunicação


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Muniz Sodré (à dir.) proferiu conferência sobre a maneira de estar no mundo. Fotos: Toni Vasconcelos/Ascom

“Baianidade é uma invenção estética que aponta para uma maneira de ser.”

Com essas palavras, o sociólogo e comunicólogo Muniz Sodré iniciou a conferência de abertura do I Simpósio Internacional de Baianidade (SINBaianidade), realizada na noite da última quinta-feira (13) no Campus XXIII da UNEB, em Seabra.

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Discente Aldenice dos Santos vê a baianidade expressa nas manifestações culturais da população

O evento reuniu mais de mil pessoas, em uma extensa programação acadêmica, que contou com atividades até domingo (16). O SINBaianidade já está sendo considerado, pelos organizadores do simpósio, o maior evento em número de inscritos atualmente realizado pela universidade no interior do estado.

Na conferência, Muniz Sodré apresentou o tema Sobre a maneira de estar no mundo e explicou como a cultura global aumentou a importância da local.

“Antes se acreditava que o local desapareceria com a globalização, mas aconteceu o contrário. O capitalismo precisa das pequenas forças para subsistir. Por isso a baianidade surge como pretexto para falar do local”, destacou o sociólogo, que também é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ufrj).

Atenta à conferência, a estudante Patrícia Rosendo, que cursa letras no Campus XVI da UNEB, em Irecê, lembrou que o sincretismo religioso da Bahia é um bom exemplo dessa baianidade. “Adorei estar num evento que valoriza os costumes e crenças do nosso estado”, contou.

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Estudante Manoel Moraes (Uesb): "Torço para que eventos como esse ocorram também em Itapetinga"

O simpósio também atraiu diversos discentes de outras universidades, a exemplo de Aldenice dos Santos, que cursa serviço social na unidade virtual da Universidade Norte Paraná (Unopar) e mora em Souto Soares, município vizinho à Seabra.

“A baianidade está nas manifestações culturais. Vejo em mim por meio do samba e da feijoada”, comentou Aldenice.

Manoel Moraes, estudante do curso de pedagogia na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), disse que torce para que eventos como esse ocorram também em Itapetinga. Foi enriquecedor”, completou.

Seabra: capital da baianidade

Durante os quatro dias de simpósio, realizado pelo Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias (DCHT) do Campus XXIII, estudantes, professores, pesquisadores e intelectuais da Bahia e outros estados debateram sobre as faces da baianidade, avaliando pesquisas do Brasil e do exterior.

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Luiz Paulo: iniciativa demonstra força da UNEB no interior, especialmente na Chapada Diamantina

“Se eu fosse governador do estado transferiria a sede do governo para Seabra, pois, na cidade das rosas estamos reunindo mais ideias sobre baianidade que em toda a Bahia”, brincou o diretor do DCHT, Gildeci Leite, coordenador da iniciativa.

Gildeci lembrou que o evento é uma oportunidade para “mostrar o que somos e o que fomos e assim influenciar estudantes para que se dediquem à pesquisa sobre baianidade”.

Para o pró-reitor de Planejamento (Proplan), Luiz Paulo Neiva, que representou o reitor da UNEB, Lourisvaldo Valentim, o evento demonstra a força da universidade no interior, sobretudo na região da Chapada Diamantina. “A UNEB está com sua multicampia renovada”, destacou.

Também prestigiaram a cerimônia de abertura do evento o presidente do Fórum de Diretores de Departamentos, Otávio Assis, a diretora da editora universitária (Eduneb), Nadja Nunes, e a coordenadora do Núcleo de Gêneros e Sexualidades (Diadorim), Suely Messeder, que representou a vice-reitora Adriana Marmori.

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Capinan: "Ação como essas faz a gente se antecipar para a construção de um futuro diferente"

O deputado estadual José Raimundo, o reitor Abdull Naallah, da Universidade Kwasu, na Nigéria, e o secretário da Educação de Seabra, Claudilson dos Santos, também participaram da solenidade.

Comendas a personalidades

Também na noite de abertura do simpósio, o diretor Gildeci Leite homenageou com comendas alguns gestores, pesquisadores e outros intelectuais que contribuíram para o sucesso do evento.

Entre os agraciados, estavam o reitor Lourisvaldo Valentim, o sociólogo Muniz Sodré, o compositor José Carlos Capinan e o cineasta e diretor do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb), Pola Ribeiro.

“O SINBaianidade é importante por ajudar a repensar nosso estado. Ações como essa da UNEB faz a gente se antecipar para a construção de um futuro diferente. Seabra merece ser a protagonista deste momento”, disse Capinan, que no sábado (15) participou da mesa-redonda A Bahia literomusical.

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Diretor Pola Ribeiro participou de um bate-papo sobre seu filme Jardim das Folhas Sagradas

Pola Ribeiro endossou as palavras de Capinan: “Essa é a Bahia que pode dialogar com o futuro e que reconhece seu passado ancestral. As cores e as comidas estão inseridas na nossa cultura”. O diretor do Irdeb participou na sexta-feira (14), de um bate-papo sobre seu novo filme, Jardim das Folhas Sagradas, que será lançado brevemente.

“A produção transpira baianidade, mostrando o negro buscando um outro espaço no mundo”, adiantou Pola.

Homenagem ao poeta

Ainda na noite da quinta-feira (13) a biblioteca do Campus XXIII foi reinaugurada, passando a se chamar Biblioteca Poeta Ildásio Tavares. O nome foi escolhido em votação realizada entre os estudantes do campus.

O descerramento da placa da biblioteca foi realizado com a presença dos amigos do poeta Julio Braga e Zuleide Duarte, além dos convidados e do público presente.

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Banner do SINBaianidade com caricaturas de personalidades

Ildásio Tavares, autor de 42 livros, faleceu no ano passado. Poeta, contista e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Ildásio também foi compositor de músicas gravadas por intérpretes do porte de Maria Bethânia, Alcione, Vinícius de Moraes e Toquinho e Nelson Gonçalves.

Na ocasião, o diretor Gildeci Leite apresentou ainda um novo banner do SINBaianidade ilustrado com caricaturas de diversas personalidades, a exemplo do escritor Jorge Amado, Muniz Sodré, Capinan e reitor Valentim.

Programação ampla

Na sexta-feira e no sábado, minicursos, mesas-redondas e lançamentos de livros completaram a programação. Os debates se estenderam até o domingo (16), com sessões de comunicações e entrega de certificados.

Entre as mesas-redondas da manhã de sexta (14), destaque para a que trabalhou o tema Quem cabe na baianidade? Estratégias e tensões na demarcação do lugar, da qual participou o pró-reitor Luiz Paulo Neiva.

O titular da Proplan falou sobre as possibilidades de superação da pobreza no semiárido baiano, apresentando como exemplo o Projeto Canudos, que ele coordenada.

Ao todo foram 19 minicursos, abordando temas como Quadrinhos na escola: cultura, história, leitura, coordenado pela professora do DCHT Patrícia Pina, e A baianidade no cinema nacional, coordenado pelo docente Maurício Amorim.

Também prestigiaram o simpósio os escritores Carlos Ribeiro e Aleílton Fonseca, além de Tuna Espinheira e Yara Espinheira, diretor e produtora do filme Cascalho, respectivamente.


Reportagem de cobertura da WebTV.UNEB

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