POR Ascom/Toni Vasconcelos, 08 mar 2011, 07H20

MENSAGEM: Reitoria divulga homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Em de 8 de março de 1857, operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque (EUA) entraram em greve e ocuparam as instalações da empresa para solicitar a redução da jornada de trabalho de mais de 16 horas por dia para 10 horas.

As 130 mulheres, que recebiam menos de um terço do salário dos seus colegas homens, foram trancadas na fábrica, que foi incendiada. Juntas, morreram queimadas.

Mais de meio século depois dessa tragédia, numa conferência mundial de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido comemorar o 8 de março como Dia Internacional da Mulher.

No Brasil atual, as mulheres conquistaram o direito ao voto, espaço no mundo do trabalho e direitos civis. E, pela primeira vez, uma mulher foi eleita Presidente da República.

A Reitoria da UNEB, junto com o Grupo Gestor da universidade e com toda a Comunidade Unebiana, reafirma, nesta data, a importância da continuidade da luta diária pelo desenvolvimento de políticas públicas voltadas a todas as mulheres — em sua diversidade de cor, etnia, credo, orientação sexual —, para que sejam asseguradas as conquistas alcançadas e promovidos novos avanços nas relações de gênero no país e no mundo.

Parabéns a todas as servidoras, professoras e estudantes da UNEB!


Salvador, 8 de março de 2011.
Gabinete da Reitoria

HOMENAGEM EM POESIA

Todas as Vidas
Cora Coralina

Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho,
olhando pra o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço…
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo…
Vive dentro de mim
a lavadeira do Rio Vermelho,
Seu cheiro gostoso
d’água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde de são-caetano.
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada, sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
Vive dentro de mim
a mulher roceira. 
— Enxerto da terra,
meio casmurra.
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos.
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha…
tão desprezada,
tão murmurada…
Fingindo alegre seu triste fado.
Todas as vidas dentro de mim:
Na minha vida —
a vida mera das obscuras.

Fotos (home): Divulgação, com arte de Anderson Freire/Ascom


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