POR Ascom/Toni Vasconcelos, 21 fev 2011, 15H21

Projeto mapeia trajetória de egressos do sistema de cotas para negros

Carol Soledade
Núcleo de Jornalismo
Assessoria de Comunicação

 

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Professor André Luís foi cotista na universidade. Foto: Divulgação, com arte de Anderson Freire/Ascom

Empenhado em analisar a trajetória percorrida pelos egressos do sistema de cotas para negros da UNEB, o grupo de pesquisa pós-colonialidade, educação, história, cultura e ações afirmativas (Firmina) elaborou em 2008 um projeto inédito no país.

Intitulado Os egressos do sistema de cotas para negros da UNEB: impactos da ação afirmativa na trajetória e desempenho acadêmico, a ação, em pouco mais de dois anos, analisou os acertos e desacertos do processo de formação e conclusão acadêmica dos estudantes cotistas.

De acordo com a professora Ivy Mattos, membro do grupo e coordenadora da pesquisa, um dos resultados mais relevantes foi a verificação de que, em média, os candidatos que optaram pelo sistema de cotas nos vestibulares da universidade tiveram desempenho similar aos candidatos não-cotistas.

“Considerando as condições desfavoráveis as quais os cotistas estão sujeitos, como ensino de qualidade inferior e baixo poder aquisitivo, essa constatação nos surpreendeu”, disse Ivy.

Nos próximos dias, os resultados obtidos com o projeto serão disponibilizados no site www.grupofirmina.com.br. Em abril, o grupo Firmina, vinculado à Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PPG) da universidade, promove a I Conferência de Ações Afirmativas da UNEB, evento que vai debater essa e outras pesquisas realizadas.

O sistema de cotas, implantado pela universidade pioneiramente nas regiões Nordeste e Norte em 2002, já beneficiou mais de 14 mil pessoasDo total de vagas ofertadas atualmente pela UNEB nos seus cursos de graduação e pós-graduação presenciais e a distância, 40% são destinadas para negros e outras 5% para indígenas.

Entre os beneficiados pelo sistema está André Luís, que ingressou na universidade em 2003, e concluiu o curso de graduação em ciências contábeis, oferecido no Campus I da UNEB, em Salvador, em 2007. Desde então, sua vida profissional progrediu a passos largos. De professor de matemática a diretor financeiro de um curso pré-vestibular foi um pulo.

Apesar da conquista profissional, André não esconde o sonho de fazer parte do quadro efetivo docente da UNEB, instituição que ele considera o seu segundo lar. “Meu maior sonho é voltar para a UNEB como professor titular, para retribuir tudo o que me foi oferecido ao longo de todos esses anos, passando meu conhecimento aos jovens.”

Desdobramentos

O projeto Os egressos do sistema de cotas para negros da UNEB: impactos da ação afirmativa na trajetória e desempenho acadêmico contou com a participação de pesquisadores do Centro de Estudos dos Povos Afro-Índio-Americanos (Cepaia) da UNEB e de graduandos e graduados cotistas dos cursos de análise de sistemas e pedagogia do Campus I (Salvador), direito e letras do Campus III (Juazeiro) e administração e história do Campus V (Santo Antônio de Jesus).


Reportagem da TVE Bahia, exibida em 10/2/2011, sobre os resultados positivos do sistema de cotas da UNEB

Os custos com a pesquisa, de cerca de R$ 50 mil, foram financiados por meio de edital do Conselho de Desenvolvimento Nacional Científico e Tecnológico (CNPq). Entre os elementos analisados, esteve a infraestrutura oferecida pela UNEB aos estudantes. 

“O projeto ajuda a avaliar e refletir sobre essa política de ação afirmativa, que vem permitindo o acesso de jovens negros e indígenas ao ensino superior”, destacou o atual diretor do Cepaia, Wilson Mattos, então pró-reitor da PPG quando os estudos foram iniciados.

Ivy acrescentou que os resultados do projeto vão servir de instrumento para reconhecer o significado das cotas para os segmentos sociais representados. “Vão demonstrar também como a UNEB, por meio dessa modalidade, cumpre uma função social de extrema importância, se considerarmos o alto índice de analfabetismo e desigualdades sociais da Bahia.”

O projeto, sinalizou Ivy, pode resultar em outros importantes desdobramentos. O primeiro seria uma pesquisa mais aprofundada sobre cotas na UNEB, em parceria com a universidades Federal da Bahia (Ufba), de Brasília (UnB) e Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems), com financiamento da Fundação Ford. O segundo seria uma análise mais sistemática sobre o ingresso do estudante cotista na universidade por meio dos vestibulares de 2003 a 2010. E o terceiro um estudo acerca dos impactos que as instituições de ensino superior sofrem com essas ações afirmativas.

Foto-montagem (home): Cristiano Vieira/Ascom 


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